sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Sermão da Discórdia

O Desafio para a Unidade da Igreja Brasileira.

 1. Definindo a Igreja de Cristo. Antes de falarmos da unidade, precisamos definir quem é igreja e quem não é, quais as marcas que distinguem a verdadeira igreja de Cristo da falsa. Esse é um dos grandes desafios para se estabelecer a unidade, do contrário, corremos o risco de comprometermos a santidade da igreja. A unidade não pode ser estabelecida a qualquer custo, antes, pelo contrário, se algum segmento da igreja fere as principais doutrinas da fé ou da moral cristã, deve-se fazer uma cisão. Assim nasceu a igreja evangélica da qual hoje fazemos parte, de um movimento de ruptura. a. Dois critérios para se avaliar a autenticidade da igreja: moral e doutrinário.

 a.1. Avaliando a doutrina da igreja brasileira. Com a reforma protestante surgiram muitas igrejas e doutrinas divergentes, os puritanos se uniram no século XVII para estabelecer, dentre outras coisas, três marcas distintivas de uma igreja cristã. São elas: Pregação correta das Sagradas Escrituras, ministração correta dos sacramentos (ceia e batismo) e disciplina (critério para se aceitar ou excluir um membro).
No início da década de 90 o bispo Macedo procurou o Rev. Caio Fábio, então líder da AEVB (associação evangélica brasileira) a fim de se associar, Caio Fábio recusou sua entrada, pois considerava a Universal uma seita. Hoje, pentecostais rivalizam com neopentecostais desconsiderando um ao outro como cristão autêntico.

 a.2. Avaliando a moral da igreja brasileira. Não consideramos a Igreja Contemporânea (uma igreja GLS) igreja cristã, pois tem em sua existência um erro moral, porém, aceitamos igrejas lideradas por bandidos. Falo do casal Hernandes, que foi preso nos USA por evasão de divisas, viajaram com grande quantia de dólar ilegal escondido na bíblia. Lá eles são bandidos, aqui são heróis. O problema é que nossa ética é exclusivamente sexual, gays não podem, ladrões podem.

 Nesse ponto o pastor se levantou, tirou o microfone de mim e disse que aquele púlpito não era lugar para falar mal da igreja. Que enquanto eu criticava os homossexuais, tudo bem, mas, se os Hernandes são ladrões Deus cuidará deles...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Um Ídolo Chamado Filho


Um dia desses ouvi uma adolescente expressar sua insatisfação com o modo de sua mãe educá-la. Ela dizia estar cansada dessa coisa de sua mãe tentar fazer dela, uma versão melhorada de si mesmo. Fiquei muito impressionado com a capacidade dessa adolescente formular uma idéia tão, tão... nem sei.
Daí em diante comecei a perceber que esse comportamento paterno e materno é um padrão. As pessoas, na sua maioria, querem mesmo fazer de seus filhos uma versão melhorada de si mesmos. Idealizam um ser humano ideal (desculpem a redundância) e tentam encaixar a criança naquele papel.
Querem um filho que coma alimentos orgânicos, não beba Coca-Cola, não coma doces, passe mais tempo com livros que a televisão, não goste de vídeo games, pratique os melhores esportes, não namore na adolescência, se case virgem, fale três línguas, seja organizado, disciplinado, arrume o quarto, seja o primeiro da turma, enfim, a lista de exigências é interminável.
Na maioria das vezes, esse comportamento surge de pais frustrados com si mesmos e que, portanto, projeta nos filhos aquilo que não são, e tentam fazer do filho o seu eu ideal. E acreditam, de verdade, que seu filho pode ser um super-humano.    
Um dos grandes problemas desse comportamento, é que ele é idólatra. Faz do filho um ÍDOLO ideal de sua imaginação enfermada, e pretende que seu filho seja a REDENÇÃO daquilo que ele não foi. O filho, quando aceita esse papel, assume um compromisso religioso de redimir seus pais, o que faz dele um escravo neurótico. Quando não aceita, o que acontece na maioria das vezes, se torna rebele e irritado, porque ninguém suporta o peso de ser um deus.
A cura dessa doença idólatra, é os pais aceitarem suas falhas e assumir, de uma vez por todas, o papel de homem comum, e assim, deixarem que seus filhos sejam os mais comuns dos seres humanos. Do tipo que não gosta de estudar, curte as piores novelas da TV, só gosta de comer porcaria, o quarto é uma bagunça... a cura está em ser normal.    

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Mobilidade Descendente


A vida de compaixão é a vida da mobilidade descendente! Numa sociedade em que a mobilidade ascendente é a norma, a mobilidade descendente não só não é encorajada como inclusivamente é considerada imprudente, pouco saudável, senão mesmo completamente estúpida. Quem será que escolhe livremente um emprego mal pago quando lhe é oferecido um outro bem pago? Quem será que escolhe a pobreza quando a riqueza está ao seu alcance? Quem será que escolhe um lugar escondido quando há um lugar na ribalta da vida? Quem será que opta por viver por uma única pessoa com graves carências quando poderia ajudar muitos ao mesmo tempo? Quem será que escolhe retirar-se para um lugar de solidão e oração quando há tantas exigências urgentes em toda a parte? Toda a minha vida, fui encorajado por gente bem intencionada a «subir na escala» e o argumento mais comum era: «Nessa posição, pode fazer tanto bem a tanta gente!»Mas essas vozes chamando-me à mobilidade ascendente estão completamente ausentes do Evangelho. Jesus diz: «Quem ama a sua vida, perdê-la-á e quem odiar a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna» (João 12, 25). E diz mais: «Se não vos fizerdes como crianças nunca entrareis no reino dos céus» (Mateus 18, 3). E finalmente diz: «Vós sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Ao contrário, quem quiser fazer-se grande entre vós, seja o vosso servo; e quem quiser ser o primeiro no meio de vós, seja vosso escravo. Assim fez o Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pelo resgate de muitos» (Mateus 20, 25-28).Esta é a via da mobilidade descendente, a via descendente de Jesus. É a via que leva aos pobres, aos que sofrem, aos marginalizados, aos prisioneiros, aos refugiados, aos que estão sós, aos esfomeados, aos moribundos, aos torturados, aos sem-tecto - a todos os que pedem compaixão. O que é que eles têm a oferecer em troca? Nem sucesso, nem popularidade, nem poder, mas a alegria e a paz dos filhos de Deus.

Henri Nouwen, Aqui e Agora